Patrimônio Imaterial
Contar uma história tem a ver com tecer. Quem cria histórias costura personagens, borda fatos, entrelaça ações e vai acrescentando pontos. Depois enredo, trama, tessituras. Nós, do Memória de Agulha, especialmente, acreditamos que uma simples agulha e um bocado de linha têm o poder de fazer história. Podem mudar trajetórias e gerar renda, empoderamento e auto-estima. Das pessoas e dos lugares.
Quando nós começamos a nossa associação, o desejo era criar e vender produtos feitos à mão. Mas não eram simples manualidades. Eram produtos com história, ancestralidade, tradição. Percebemos que éramos guardiãs de técnicas que estavam se perdendo com o tempo. E resolvemos investigar ainda mais, puxar o fio dessa história, ensinar a outras mulheres. Foi então que nos demos conta: algumas dessas técnicas estavam intimamente ligadas à história do nosso lugar. Sem perceber, estávamos fazendo resgate de patrimônio cultural imaterial de São Gonçalo do Bação.
Parece complicado, mas é tão simples e bonito como o ponto mais tradicional do Bação, a bainha aberta. Primeiro, é preciso desconstruir. Puxar um fio no tecido e botar reparo. Cada desfiar amplia a visão. E abre caminho a um novo ponto que reorganiza a trama com frescor e poesia. Ainda que a linha utilizada fosse aquele fio mesmo puxado do tecido, tudo agora se redesenha, ganha alma nova e outro valor. Entendemos que nossa vocação hoje é entrelaçar passado e futuro.